Os Instalados
Há três dias que mais de cem mil pessoas, depois de enormes transtornos, nervos, cansaço, stress, chegam tarde ao trabalho. Pessoas que precisam de trabalhar, que temem perder o emprego, que trabalharão mais e melhor para tentar que as sua empresas ultrapassem a borrasca e não vão à falência, que os seus empregos não acabem, etc. Porquê? Porque uns fulanos, que trabalham relativamente pouco, que têm horários de privilégio e regalias em barda, que ninguém pode despedir, cujas empresas vivem à custa dos impostos e dos sacrifícios dos outros... estão em greve. Em matéria de abuso de direito, são mestres.
O chefe dos chefes militares declara, ameaçador, que os ditos não são “submissos”, leia-se que, se lhes cortam alguns tostões como aos demais, pegarão em armas para sacar o deles.
Os subordinados do insubmisso, animados por estas doutas palavras, alinham em manifestações de massas, seguidos de polícias e outros empregados indispensáveis.
Os magistrados reunem-se em sindicatos, fazem exigências e ameaças, queixas e queixinhas, metem-se onde não são chamados, armam em legisladores, dizem-se independentes usando uma mais que ilegítima interpretação extensiva do conceito, contribuem conscientemente para a perturbação generalizada da sociedade em vez de, a partir da eminente mas já perdida dignidade da sua profissão, ser um elemento de estabilização e de confiança na Justiça.
Os médicos, esses, com o rei na barriga, isto é, cientes de que a sociedade não pode deles prescindir, ultrapassam, através de um bastonário politicão, abusador e grevista, tudo o que seria imaginável em matéria de respeito por terceiros.
Os advogados são representados por um maluco.
Os sindicalistas controlados pelo PC não conseguem ultrapassar o mais primitivo bolchevismo.
E assim por diante.
Tudo com o extremoso apoio da chamada “informação”, altifalante de tudo o que não presta.
Pior que todas as hesitações e falhas do poder legítimo é o estado de degradação moral e cultural em que a sociedade portuguesa se encontra. Valores? Que é isso? Democracia? É a rua. Falta de dinheiro? É para os outros.
Não são os verdadeiramente prejudicados pelas consequências do socialismo estatista quem protesta e desestabiliza. São os instalados. Mal ou bem instalados, mas instalados. Objectivamente, fazem troça os demais.
António Borges de Carvalho
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