sábado, 8 de setembro de 2012

AUSTERIDADE

Como os senhores e as senhoras do Tribunal Constitucional melhor que ninguém sabiam, a sua douta sentença, ilegalizando o que estava, provocaria que outra coisa viesse, com igual ou maior valor fiscal.

Toda a gente percebeu isto, incluindo o inigualável Mário Soares que deu largas à sua habitual clarividência ao dizer que “como sempre” é “contra a austeridade”.

Cinicamente, finge que não percebe e aproveita para a sua propagandasinha. Vale-lhe a fraca memória da maralha. Ninguém se lembra já da austeridade soarista.

É bom lembrar:

Quem lançou impostos retroactivos?

Quem nos tirou os cartões de crédito?

Quem deixou, anos a fio, as prateleiras dos supermercados vazias de qualquer dos produtos mais desejados?

Quem chegou ao ponto de proibir concertos, como o do Iglésias, para não deixar sair divisas?

Quem meteu cá o FMI?

Quem foi fiel ao programa do FMI?

Quem estrangulou o crédito?

Quem pagou os subsídios com títulos do tesouro que, uma vez vencidos, valiam metade?

Quem cortou salários a toda a gente através de brutais desvalorizações do Escudo?

Quem impediu, por via fiscal, as viagens dos portugueses?

Assim, de repente e a quente (ouvi o homem há cinco minutos), é o que ocorre. Quem quiser ir aos documentos da época, muito mais encontrará.

Era preciso? Justificava-se? É de crer que sim.

É claro que, segundo a clarividência de Mário Soares e de algum burro que por aí ande, nada do dito era austeridade.

Que bicho seria então?

Soares, que no seu tempo era a favor da austeridade, passou a ser contra por não ser da sua autoria nem da do “seu” FMI?

Se houvesse um santo protector dos aldrabões, dos burros e dos malucos, o IRRITADO pediria a sua ajuda para limpar a clarividência do geronte.

Há mais quem não tenha percebido: os partidos da esquerda. Desses não reza a história: são contra o sol e contra a chuva, contra os fogos e os bombeiros. Não merecem comentário, nem as suas opiniões têm a mais remota relação com a realidade.

Qual é então a realidade?

Simples.

O TC fez a malandrice. Tirou dois mil milhões ao orçamento.

O governo tinha que os ir buscar a algum lado. Arranjou uma catraca que talvez funcione.

É bom dar algum fôlego às empresas, a ver se começam a criar emprego.

É mau que as pessoas tenham que descontar mais.

É bom que a segurança social receba mais, porque já não aguenta a despesa.

É bom que se corte um subsídio em vez de dois, e que o que fica seja pago em duodécimos.

É mau que os pensionistas continuem sem os dois subsídios.

Isto, quanto ao que hoje ouvi.

Quanto ao que aí vem, que ainda não se sabe mas que é como já se soubesse, vai ser uma desgraça? Com certeza. Pode é ser uma desgraça maior ou uma desgraça menor.

A ver vamos no que vai dar a história dos escalões do IRS.

A ver vamos o que vai acontecer ao IMI, no que vão dar as reavaliações, etc.

Do que não há dúvida é de que a crise europeia e as trafulhices do Pinto de Sousa foram hecatombes que se abateram sobre nós em simultâneo, e da influência das quais não se sabe se nos livraremos ou quando nos livraremos.

O resto são soarices e patacoadas dos especialistas em omeletes sem ovos.

Ao contrário do que diz a malta do costume, quanto mais esbracejarmos mais nos afundamos.

António Borges de Carvalho







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