Ministro da Agricultura foge da verdade como o diabo foge da cruz !
Perante algumas das reclamações avançadas neste momento pelos Agricultores, o Sr. Ministro da Agricultura afirmou que a CNA devia "fazer bem as contas" antes de reclamar mais apoios para a Agricultura, uma vez que "os Agricultores já não estão sujeitos a quotas de produção tal como estão os Pescadores". Por outro lado, continuou o Sr. Ministro da Agricultura, os "contribuintes não iam aceitar" pois os Agricultores recebem muitas ajudas e "até estão a ganhar dinheiro devido aos actuais preços dos bens alimentares". O Sr. Ministro da Agricultura reagiu pois com uma argumentação reveladora de uma grande insensibilidade perante as dificuldades dos Agricultores, à mistura com inverdades tão grandes que até espantam ! Vejamos : 1 - A CNA afirma que sabe "fazer as contas" - ao contrário do Sr. Ministro que o que mais gosta é de manipular números e fazer demagogia - pois a CNA sempre reclamou a (grande) redução das Ajudas que recebem os grandes proprietários e a grande agro-indústria mesmo sem necessidade de produzir. Depois, é necessário relembrar ao Sr. Ministro da Agricultura que as Ajudas Directas da PAC foram instituídas pela União Europeia a pretexto de "compensar a baixa dos preços à produção", baixa essa imposta, politicamente, pela mesma PAC e pela OMC, Organização Mundial do Comércio. 2 - Quantos aos preços dos bens alimentares, o facto é que o Governo permite a especulação com os preços no consumidor, aliás como acontece com o preço dos combustíveis.Informa-se, nomeadamente o Sr. Ministro da Agricultura, que o preço do Leite, na produção, varia entre 35 e 40 cêntimos por litro e está a mais do dobro no consumidor; que um bezerro de três meses só sai (quando sai...) das explorações familiares a 250 euros e que a Carne Bovina não baixa de preço no consumidor e antes pelo contrário; que o litro de Vinho sai da produção a preço muito baixo mas chega ao consumo várias vezes mais caro; que, na campanha anterior, o Arroz subiu apenas 5 cêntimos no produtor enquanto subiu 60 % no consumidor; que o Milho e o Trigo, em geral, estão agora mais baratos na produção (entre 20 a 22 cêntimos o quilo) que na campanha anterior e a preços inferiores aos praticados há quinze/vinte anos atrás. Tudo isto num contexto em que aumentam brutalmente os preços de todos os Factores de Produção. 3 - Quanto ao grave problema do alto preço dos Combustíveis, esclarece-se que aquilo que a CNA está a reclamar é uma maior redução da carga fiscal sobre o Gasóleo Agrícola. Aliás, a redução da carga fiscal sobre os Combustíveis é uma reclamação de vários outros sectores sócio-económicos e dos Portugueses em geral. 4 - Ao contrário daquilo que veio dizer o Sr. Ministro da Agricultura, esclarece-se que há "quotas" impostas à produção agrícola nacional tais como: -- Na Produção Leiteira, com uma quota de produção nacional de cerca de dois milhões de toneladas por ano sendo que, antes, já houve lugar ao pagamento de "multas" individuais por excesso de Produção; -- No Açúcar, com uma "quota" anual de 15 000 toneladas; -- No Arroz, com uma área máxima de cerca de 25 mil hectares com direito a um "pagamento (ajuda) complementar específico"; -- Nos Frutos de Casca Rija, com uma área máxima de produção de 41 mil hectares com direito a Ajudas; -- Nos Ovinos e Caprinos com um máximo até 2 690 000 animais com Ajudas; nas Vacas Aleitantes até 416 539 animais com Ajudas. 4.1 - Por outro lado, lembra-se ao Sr. Ministro da Agricultura que também há, e de que maneira, o cada vez mais apertado "tecto" do Orçamento da PAC. Há, ainda, o cada vez mais reduzido Orçamento de Estado Nacional para a Agricultura, situação que leva até a que o Ministério da Agricultura tenha muitos milhões de Euros de dívidas - por vários tipos de Ajudas - que não paga a tempo e horas quer aos Agricultores quer às Organizações Agro-Rurais, o que também contribui para asfixiar financeiramente o Sector.... Ou seja, o Sr. Ministro da Agricultura reage de uma forma tal que coloca os Agricultores como os seus adversários principais. Assim, a CNA continua a reclamar ao Sr. Ministro da Agricultura e ao Governo que dêem combate firme à especulação com o preço dos Combustíveis e com o preço dos bens agro-alimentares no consumo, o que será uma das melhores formas de aliviar as dificuldades com que hoje vivem as Portuguesas e os Portugueses. Coimbra, 18 de Junho de 2008 A Direcção Nacional da CNA.
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