quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

EÓLICAS E O AMBIENTE - PARTE II

A aposta nas energias eólicas está a transformar a paisagem rural. Serras e montanhas ficam cobertas por uma coroa de aerogeradores que estão a bater todos os recordes de produção eólica, mas também a causar a morte de uma grande quantidade de morcegos, espécie protegida por lei. As eólicas serão o lixo do próximo século depois de serem abandonadas pelos vindouros que terão uma visão inteligente e que confirmarão que o futuro da energia está no mar e no hidrogénio. Em Portugal tem sido detectada mortalidade em muitos dos parques eólicos, sobretudo no final do Verão e início do Outono. "Há evidências de que as populações de morcegos estão em declínio, sendo que a sua área de distribuição está também a diminuir", afirma Francisco Amorim, ambientalista e académico que está a analisar o efeito dos aerogeradores na população destes mamíferos. A energia eólica apresenta um "lado menos bom que merece ser olhada com precaução". Desde 2006 a desenvolver tese de mestrado sobre o impacto ambiental das eólicas nos morcegos nas serras da Arada e de S. Macário (distritos de Aveiro e Viseu), Francisco Amorim afirma que " tem sido detectada mortalidade em muitos dos parques eólicos monitorizados, com um pico no final do Verão e início do Outono". As causas ainda são desconhecidas, mas o ambientalista aponta algumas hipóteses: "Os sons produzidos por turbinas podem atrair ou desorientar os morcegos" e a dificuldade destes mamíferos em "detectar pás em movimento". Embora a lei exija avaliação de impacte ambiental, as suas conclusões só são obrigatórias quando está em causa "a instalação de aerogeradores em áreas protegidas ou de mais de dez torres", esclarece. O ambientalista sugere medidas de minimização como "a promoção de /habitats/ de alimentação e de abrigos artificiais e realização de acções de sensibilização e de educação ambiental junto das populações". Este não é o primeiro caso de um projecto de energia eólica que colide com as comunidades de morcegos. Há um ano, a existência dos animais pôs em causa um parque eólico projectado para Seia, na serra da Alvoaça, zona protegida da serra da Estrela. O projecto foi contestado pela Liga para a Protecção da Natureza e Quercus e chegou a ser equacionada a desmontagem do parque porque estava a pôr em causa a colónia de morcegos da Estrela. As eólicas levaram a melhor. Obviamente, para este Governo o ambiente e a natureza não conta. O que conta são os números, números, números...
  • Só um realce meu, no dia 16 de Janeiro de 1994, entrou em vigor o primeiro acordo que protege os morcegos europeus e os seus habitats, no âmbito da convenção de Bona sobre a conservação das espécies migratórias selvagens.

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