quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

EÓLICAS E O AMBIENTE - PARTE I

  • Pedro Almeida Vieira, escritor e jornalista, colocou no seu blog Reportagens Ambientais uma entrevista com o Prof. Delgado Domingos, jubilado do Instituto Superior Técnico, da qual quero salientar o seguinte excerto (mas recomendo vivamente a leitura integral): Pergunta – Em 2007 falou-se bastante em energia em Portugal. Ao longo de 2008 está prevista a aprovação do Plano Nacional de Barragens e será anunciado o resultado do concurso para a ampliação dos parques eólicos. Será 2008 o ano da energia? Resposta – Talvez sim, mas espero que não seja pelas más razões. Em Portugal estamos a viver numa realidade virtual no campo da produção energética. E acho serem necessárias algumas advertências muito sérias. Por exemplo, penso que não se devem espalhar parques eólicos sem nexo. Eu sou defensor da energia eólica, mas não de qualquer maneira, sem disciplina. E aquilo a que estamos a assistir é um negócio puramente financeiro, só com vista para o lucro imediato. Em Portugal, os produtores de energia eólica beneficiam de uma situação económica altamente favorável, protegida e sem contrapartidas. E depois não existem estudos aprofundados do potencial eólico e das localizações mais adequadas, que salvaguardem algumas serras e apostem na hipótese dos parques off-shore. P – O concurso está feito, de facto, de modo esquisito: os candidatos propõem locais e o que for vencedor quase automaticamente terá aprovadas todas as localizações, independentemente dos impactes… R – Esse concurso foi feito para dar as regalias aos grandes monopólios. A energia eólica, que tem grandes méritos se for descentralizada e feita numa escala disseminada, acaba por ser concebida em concentrações, sem contrapartidas. A energia eólica é paga em Portugal de um forma exageradamente favorável às empresas, pois tem prioridade absoluta de entrada na rede e garantia de compra pela REN sem qualquer obrigatoriedade de previsibilidade do fornecimento dessa energia e sem penalizações previstas. Isto é chocante, porque afecta todo o sistema eléctrico nacional, obrigando a ter centrais em stand-by, com custos enormes. Nos países em que a eólica não é um puro negócio financeiro, o preço da electricidade eólica está ligado às previsões de produção e do respectivo cumprimento. Isto estimula o sistema de previsão e a gestão do sistema eléctrico. Faz-se assim na Espanha e nos países nórdicos, por exemplo. Se o prof. Delgado Domingos tem razão, a instalação desenfreada de eólicas nas serras do Centro e Norte de Portugal, mesmo em áreas protegidas deve mais a operações financeiras e aproveitamento de apoios e subsídios (directos ou indirectos) estatais, do que a verdadeiras preocupações ambientais, ao protocolo de Quioto, ao interesse nacional ou mesmo à expectativa a longo prazo de lucros com a venda de energia.

  • Será ou não verdade? Que por exemplo em Penamacor o interesse dos senhores que mandam no Concelho é pura e simplesmente económica. Salvo o erro as eólicas estão instaladas em Rede Natura 2000 e foram estes senhores que disseram à boca cheia que estavam a perder por ano 1 milhão de euros por não poderem instalar as eólicas na Reserva Natural da Malcata.. Puro como a água.

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