segunda-feira, 4 de março de 2013

EST MODUS IN REBUS

"Hoje foi pedida pelo país a demissão imediata do governo”. Com estas gentis palavras, um cançonetista já gasto, um tal Mendes – sem dúvida uma besta quadrada – resumia o que se passou no Sábado. Confundir “o país” com as várias hordas de tristes ignorantes, idiotas úteis, e de condotieris a explorar as frustrações e os problemas deles, é tripudiar sobre a verdade, sobre a democracia e sobre a liberdade.

“Mais de um milhão cantaram (sic!) a ‘grândola’”, titula o jornal do amigo Oliveira, duas linhas a toda a largura da primeira página. Lisboa, segundo os mesmos aldrabões, é responsável por oitocentos mil. Esta solene aldrabice, repetida no mesmo jornal vezes sem conta, é objecto, em letrinha miúda, de um pequeno esclarecimento: com certeza por engano, e desobedecendo a ordens, há um plumitivo que acrescenta que os tais oitocentos mil foram “contados” pela organização da manifestação. Assim se faz “jornalismo”. Assim se “informa” o povo. Assim se “respeita” a verdade dos factos.

Toda a gente viu que, desta vez, apesar da adesão do PC/CGTP, do BE e do PS (oficiosamente), a multidão, ainda que muito grande, não chegou aos calcanhares, em número, daquela que se juntou, bem menos enquadrada e publicitada, aquando da triste história da TSU. O Terreiro do Paço, se considerarmos o poder de mobilização dos partidos de esquerda, CGTP incluída, estava pouco mais que às moscas.

Um outro jornal, também algo suspeito, mas mais sério, parece aproximar-se da verdade. A partir da área do Terreiro do Paço, calculou que, para o encher, são necessárias umas cento e setenta mil pessoas, e que jamais poderá conter mais de cento e oitenta e tal mil. Ora como local não estava, nem de longe, cheio, poderenos, se quisermos ser mais ou menos certeiros, dizer que estavam lá umas cento e vinte mil pessoas. Isto com a maior das boas vontades.

Assim, é de afirmar que, em relação ao “prometido” e ao propagandeado, a manifestação foi um flop. Mais um. Os organizadores, mais os partidos de esquerda, deveriam ficar-se por umas grandolazitas à porta dos ministros. Poupavam em mão de obra, gastavam menos dinheiro e tinham, na mesma, a generosíssima cobertura do “serviço” público e dos vários arautos privados. Um conselho do IRRITADO. De borla.

É pena ver, apesar de tudo, tanta gente tão enganada que pede o impossível: mais salários, mais pensões, mais emprego, mais tudo e, ao mesmo tempo, que se lixe a troica! Quem está, desde os horríveis tempos do PS, a pagar o que ainda recebemos? A troica!

As pessoas, com toda a razão tristes, chateadas, aborrecidas, desempregadas, etc., são levadas por uma chusma de demagogos, o mais influente dos quais é, desgraçadamente, o Seguro, a acreditar que o que pedem é possível, viável, fazível.

A saída “disto” pode estar, se estiver, na “Europa”, em Washington, em Frankfurt. Estará, se estiver, na reforma da justiça, no emagrecimento do Estado, na atracção de investimento, etc. Pode estar em negociações cautelosas mas firmes com os credores, pode estar na estabilidade política e institucional, etc., ou numa mistura bem cozinhada disto tudo.

Onde, de certeza certizinha, não está, é na “lixação”, ou linchamento, da troica, nas “soluções” aldrabonas do PS, do PC, do BE, da CGTP, nas parangonas dos demagogos ou dos jornais, na aldrabice dos números, na confusão entre democracia e rua, nas ilusões induzidas por tipos da banha da cobra na cabeça dos prejudicados.

Esta manifestação, o claro abismo demonstrado entre o que se prometia e o que aconteceu, a diferença brutal entre ela e a anterior, vem, afinal, mostrar que as pessoas em geral não são tão burras como delas querem fazer.

publicado por irritado



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