segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Moeda boa

Carlos Moedas tem razão: o relatório do FMI é um excelente documento e uma boa base de trabalho para a discussão da reforma estrutural do Estado.
São ridículas e ofensivas da nossa inteligência as críticas que se ouviram, como se a discussão sobre o corte definitivo de 4 mil milhões de euros na despesa pública tivesse nascido ontem, como se esses críticos não conhecessem – há meses, há anos – que é absolutamente necessário iniciar a discussão e avançar nos cortes. A oposição PS e BE, num momento de loucura normal, disputaram no parlamento o prémio “irresponsável do ano”. Pobres de nós.
Em simultâneo vai-se criando com convicção na opinião pública a ideia de que a “reforma” começa por ser uma luta entre pobres e ricos e entre novos e velhos. Os fundamentos do pedido de inconstitucionalidade aduzido pelo Presidente da República não ajudam – e muitos dos contestatários das penalizações das reformas são reformados. E assim se repete a velha lengalenga dos “direitos adquiridos”, que tem impedido que se mude o que há para mudar.
Mais uma vez, o exemplo terá de vir de cima e os mais velhos, infelizmente para eles, terão de perceber isso. Alguns dos mais novos também: não é admissível neste contexto de miséria que a segunda figura do Estado seja pensionista desde os 42 anos. A culpa não será da pessoa, por isso não se pede que seja removida, mas que se acabe com a lei iníqua que permite o excesso.

publicado por Vítor Cunha

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