quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Mais dinheiro, mais tempo e o azedume dos soldadinhos socialistas

Recordemos: em Maio de 2011 o défice orçamental português (que segundo Nicolau Santos caíra «a pique em Janeiro») subira até aos 10%. Os juros da dívida pública de longo prazo ultrapassavam alegremente a anunciada barreira da insustentabilidade dos 7% e galopavam para os 10%. O Estado, conduzido à pré-bancarrota pelo governo do senhor Sócrates, via-se na iminência de cessar pagamentos, e o senhor Sócrates via-se perante a necessidade de pedir ajuda externa. Veio a troika (que, segundo Nicolau Santos dizia em Janeiro de 2011, «já não vinha»). Em estado de necessidade, mal e à pressa, os socialistas aceitaram e subscreveram a troco de dinheiro um memorando de entendimento gravoso para a soberania, as finanças, a economia, o emprego, as empresas e o Estado Social portugueses.
Em Maio de 2011, a credibilidade externa do Estado e das instituições portuguesas media-se por isto: ninguém nos emprestava um carrinho de linhas, o ministro das Finanças era tido famosamente na conta de «o pior ministro das Finanças da Europa» (The Economist) e do senhor Sócrates dizia o Financial Times que não se podia ter uma união monetária «with the likes of M. Sócrates», isto após o ouvir anunciar a assinatura do memorando anunciando o que não estava no memorando e omitindo o que lá estava.
Menos de dois anos depois, com pesado sacrifício dos Portugueses e bastante coragem e rigor por parte do Governo:
- o défice orçamental foi reduzido a metade;
- os juros da dívida pública de longo prazo baixaram dos 6% pela primeira vez desde 2010 e os da dívida de curto prazo rondam os 3%;
- Portugal descolou da imagem da Grécia e a sua credibilidade vai de par com a da Irlanda;
- cumpridas ponto por ponto as metas do Memorando, o Governo português obteve dos seus parceiros internacionais, sob pretextos de correcções técnicas, mais 4 mil milhões de euros para investir na economia (para crescimento -- diferente do «crechimento» socialista que consiste em investimentos não reprodutivos e ilusões temporárias de emprego);
- cumpridas ponto por ponto as metas do Memorando, o Governo português vai agora conseguir o alargamento do prazo de pagamento do empréstimo internacional para o dobro do tempo previsto, sem que por isso seja alargado o prazo de «protectorado» da troika;
- cumpridas ponto por ponto as metas do Memorando, o país regressa aos mercados 8 meses antes do previsto para colocar 2-3 mil milhões a 5 anos, e os rumores sobre ratings são ao contrário: há zunzuns de que as agências de rating se preparam para subir o rating da dívida portuguesa. 
Àquilo que Sic, TVi, TSF (e amanhã, sem dúvida, o Público) andam a fazer com estas notícias chamava-se dantes «rabiar».
Os soldadinhos socialistas (soldado = aquele que recebe um soldo) andam a rabiar, falando de contradições do governo, falando de necessidade de «explicações» por parte do governo, fazendo-se desentendidos sobre como diferentes tempos exigem diferentes políticas (ser bom aluno quando se deu ao professor graves motivos de desconfiança; beneficiar e exigir regalias quando se reconquista a confiança). Os socialistas e os soldadinhos dos socialistas fingem não compreender que o mais tempo e mais dinheiro deste Governo é o reconhecimento de méritos e políticas, coisa muito diferente do «mais tempo e mais dinheiro» dos pusilânimes que negoceiam um acordo e, pousada a caneta, começam a esquivar-se a ele.

publicado por José Mendonça da Cruz

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