segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

O que queremos? Para onde vamos?

É uma verdade consabida que a política é a arte do possível.

Também ninguém minimamente esclarecido e de boa fé ignora que a situação em que o País presentemente se encontra é o resultado natural de quatro décadas de erros, de irresponsabilidades e de desperdícios.

Já um número bem menor de Portugueses percebe que o modelo de desenvolvimento que seguimos até aqui, assente na dependência do Estado, na generosidade dos benefícios sociais, na baixa produtividade e na falta de empreendedorismo e de competitividade, não é mais sustentável e requer profunda alteração.

Menos Estado-aparelho e mais Estado amigo do investimento, maior responsabilidade dos cidadãos, menor carga fiscal, são, seguramente, algumas das linhas mestras que terão doravante de nortear o País, isto é, se queremos construir um futuro com Futuro para as gerações presentes e vindouras.

Ou nos adaptamos ou morremos.

Dito isto, cumpre dilucidar quem, no quadro do regime vigente, pode melhor corporizar as transformações que a sobrevivência colectiva impõem.

Olhando para a extrema esquerda, rapidamente se conclui não ter a mesma qualquer tipo de projecto político capaz de dar resposta aos desafios nacionais.

O PCP permanece um partido cripto-estalinista, incapaz de reconhecer os valores do personalismo e as virtualidades da iniciativa privada. Jerónimo de Sousa titubeava numa recente entrevista quando se falava de propriedade privada e outros camaradas seus, como Agostinho Lopes e Honório Novo, preconizavam a saída de Portugal do Euro e mesmo da União Europeia, ignorando (?) as devastadoras consequências económicas e sociais daí resultantes.

O Bloco de Esquerda, aliás, tal como o PC, quer simplesmente a Troika na "rua", não esclarecendo como continuaria então o Estado a honrar os seus compromissos e a assegurar as funções sociais que lhe cabe prestar.

Nada disto surpreende, ou não quisessem esses partidos comunistas simplesmente a instalação do caos económico e da miséria social como condições para a construção da ditadura do proletariado, sobre os escombros da por eles odiada democracia burguesa.

Quanto ao Partido Socialista, não parece acompanhar o seu antigo líder, António Guterres, quando este ainda há dias reconheceu também as suas responsabilidades no actual estado do País. Este ensurdecedor silêncio de António José Seguro, com o qual, sintomaticamente, não foi confrontado por nenhum órgão de comunicação social, não é grave apenas por revelar falta de solidariedade ou, sequer, de hombridade. É grave, acima de tudo, porque revela que o PS não aprendeu nada com os erros que cometeu no passado e, como tal, voltaria a fazer igual, ou seja, e fundamentalmente, mais despesa pública. E isso, por muito que o PS queira esconder das pessoas, não pode mais suceder.

Quando, numa recentre entrevista à inenarrável Judite de Sousa, Seguro afirmou solenemente que “Recuso-me a entrar numa discussão de cortes”, é todo um programa político que se anuncia aos Portugueses. Ficámos pois a saber que, para o PS, não deve haver cortes, mesmo no designado Estado social. O problema é que, como também todos bem sabemos, as receitas dos impostos não chegam, nem de perto, para suportar a actual despesa pública.

Tão ou mais grave, não ouvimos da cabeça de Seguro uma única proposta que concretize os chavões e lugares comuns que decorou e vai debitando para tentar cativar os indígenas.

A isto chama-se banha da cobra, na qual já muitos caíram e, não duvido, voltarão a cair.

Por fim, que o Post já vai longo, a actual maioria.

Pedro Passos Coelho não é um D. Sebastião. Tem qualidades e defeitos, por vezes parece não compreender bem a idiossincrasia nacional, outras está à frente dos seus contemporâneos. Certo para mim é que, com todos os ses, já procurou, em escasso ano e meio, fazer mais por Portugal do que todos os primeiros ministros que o antecederam, a começar, evidentemente, pelo autêntico flagelo que se revelou José Sócrates.

A tarefa de Passos Coelho é verdadeiramente hercúlea: de um lado reduzir substancial e sustentadamente a despesa pública, criar um clima favorável à competitividade e ao investimento, libertar a sociedade do Estado e, do outro, enquanto as reformas não atingem o estado de maturação, isto é, enquanto não puderem dar os seus frutos, impor duros sacrifícios aos contribuintes.

Não sei se chegará até ao fim, mas sei que vai no caminho certo: sem demagogias, sem falsas esperanças, enfrentando os interesses instalados. Podia ser mais? Certamente que sim, mas se a actual solução política for comprometida, seja por genuína desilusão de uns ou oportunismo político de outros, neste caso à espera de uma qualquer pequena vantagem eleitoral, o resultado prático será sempre o atirar da toalha ao chão, deitando-se a perder todo o esforço nacional já desenvolvido e todo o caminho já percorrido desde que o PS chamou a Troika para nos emprestar o dinheiro com que os governos de Sócrates faliram o País.

Mas aí, o risco de se não chegar até ao fim, não é apenas o castigo eleitoral, tremendo e, então, merecido, que os partidos da actual maioria sofrerão. O risco, o verdadeiro risco, que é o que me importa, é o de ficar demonstrada a incapacidade de os Portugueses se governarem em democracia e de o actual sistema político esgotar a sua capacidade de reformar e viabilizar Portugal.

É que não sou dos que acredita num governo de salvação nacional ou do bloco central. Essas experiências já tivemos e não guardo delas grata memória.

publicado por Rui Crull Tabosa


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