sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Movimento “Bife todos-os-dias”

Parece, de facto, que a demagogia encontrou em Portugal um terreno fértil.

Dá quase ideia de que muitos ainda não perceberam as razões da ruína nacional.

Ainda há dias um jornal dava conta de que cada Português deve hoje mais 20 vezes do que em 1974. A dívida pública aumentou de 14% do PIB nacional para 120%.

Mas, que interessa?

Fernando Ulrich foi crucificado há uma semana quando tentou lembrar ao País que a nossa situação pode ser ainda muito pior do que a actual e que temos de ter muito cuidado para não a deixarmos resvalar para um descalabro à grega.

Isabel Jonet, que não conheço mas seguramente já deu muito mais de si a quem precisa do que os calvinistas que agora berram pela sua demissão – que fizeram eles pelo próximo, cumpre perguntar – é agora também vítima do crime de ter dito coisas óbvias e verdadeiras. Duras, mesmo impopulares, mas verdadeiras.

Aqui, prá rapaziada, se não há dinheiro, 'venhó' bife…

Se a conta é alta, deixe-se a torneira aberta que a água há-de correr (até um dia)…

Estamos falidos? Alguém há-de pagar…

Vivíamos acima das nossas possibilidades? Que se lixem as possibilidades e se dane a realidade…

Um bom exemplo desta absoluta falta de senso e até de patriotismo foi ainda hoje dado pelo impagável Tozé quando anunciou, com a gravidade de Pilatos, que a "austeridade é um disparate" (o Memorando de Assistência que o Socas assinou devia ser um programa de crescimento económico e emprego...), e que o PS lava as mãos da necessidade de introduzir cortes significativos na despesa do Estado. Olhá surpresa...

O que interessa, pois, é essa admirável festa socialista da demagogia, que a Merkel é que tem a culpa e não foram os tugas a rebentar com o País...

Assim, definitivamente, não vamos lá.

Uma nota final: certa vez, um amigo meu - por sinal um alemão que se define a si próprio como um Kriegskind, uma "criança da guerra" que teve de ser evacuada por subnutrição quando a sua Pátria caiu sob o jugo estrangeiro – dizia-me que nas alturas de dificuldade temos de cerrar os dentes e seguir em frente. Se o não fizermos, e nos armarmos em baratas tontas, incapazes de perceber a gravidade da Hora do Destino que vivemos, morreremos, condenando as gerações futuras a uma miséria muito pior do que a actual.

Tenho pena pelos nossos filhos. Mas nenhuma pelos irresponsáveis que nos querem perder: terão o que merecem. Que essa corja não triunfe é pois o meu voto como Português e a minha esperança de Pai.

publicado por Rui Crull

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