quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A falta que o Público não faz



Andou o Público toda uma semana a pendurar-se numas escutas e a atirar barro ao Governo a ver se algum lá ficava pendurado. Um dos escutados, Passos Coelho, disse que gostaria muito que as escutas fossem tornadas públicas. Outro, José Maria Ricciardi, revelou pormenorizadamente o teor das conversas escutadas. Mas o Público continuou, pressuroso. Até agora, até ser calado pelo facto de não haver qualquer ilícito. Afinal não era nada, era só um cozinhado entre agentes no Ministério Público e agentes no jornal.

É claro que isto vem muito a propósito para não termos pena nenhuma da falta que o Público não faz.

Hoje, ainda, num episódio de incaracterística bondade logo seguida de insuportável ligeireza, Miguel Sousa Tavares dizia na Sic que, apesar de discordar totalmente da linha editorial que vem sendo seguida, o Público faz falta. Explicava, caritativo, MST que faz falta porque os outros jornais vão ser angolanos, e porque sem o Público a Sonae seria só uma empresa de mercearias.

Não passe o exagero. Não é esse o ponto. O ponto é que não faz sentido ser Belmiro Azevedo a pagar aquilo que o Largo do Rato inspira e desfruta.

publicado por José Mendonça da Cruz

Sem comentários: