segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Zero

Confesso que fiquei estarrecido com a entrevista de António José Seguro hoje à RTP.

Sobre alternativas, nem uma: mostrou um dossier com supostas 357 propostas do seu partido, coisa estranha se considerarmos que entre projectos de lei, projectos de resolução, apreciações parlamentares e projectos de resolução (onde se inclui até uma proposta de constituição de uma comissão eventual para verificação dos poderes dos deputados eleitos…), apenas se contam 128 iniciativas. Deve ser o tal rigor…

Manteve a cara de pau quando se referiu ao imposto que diz querer lançar sobre as Parcerias Público-Privadas, curiosamente quase todas lançadas pelos anteriores Governos do Partido Socialista. Extraordinário foi mesmo ter anunciado já há dias o dito imposto, mas ter hoje revelado não conhecer minimamente o seu impacto. Como de costume, os ‘jornalistas’ e ‘comentadores’ já andam outra vez com o PS ao colo, não o confrontando com essa irresponsável falta de preparação. E quanto a rigor, estamos conversados.

Não se lhe ouviu um discurso de trabalho e exigência, tentou cavalgar todos os protestos e naturais descontentamentos, até se calou perante os ataques e agressões a actuais governantes, ignorou olimpicamente a gravidade da situação em que Portugal se encontra, não disse uma única medida de redução substancial da despesa pública, em suma, escondeu o que pensa ou disse exactamente o que pensa. Neste último caso…nada!

Responsabilidades do Partido Socialista na situação de bancarrota em que deixou o País há pouco mais de um ano, também não o ouvi assumir. Se os portugueses o perdoarem merecem o que os espera.

Criticou, até, o facto de o défice este ano ser superior ao previsto em 2%, esquecendo os tempos em que, como em 2009 – há, apenas, três anos – os Governos do PS começaram por prever candidamente um défice de 2,2% do PIB, tendo o mesmo acabado nos 9,4%, ou seja, mais 7,2%, mais do triplo. Como de costume, os ‘jornalistas’ e ‘comentadores’ já andam outra vez com o PS ao colo, não o confrontando com esses rotundos falhanços da política orçamental que Seguro ordeiramente apoiou, num tempo, convém lembrar, em que não havia medidas de forte redução da despesa pública como hoje sucede.

No fim falou da sua presuntiva “coerência”, como se não tivesse nunca andado abraçado ao pior primeiro ministro que por cá alguma vez já deambulou. A fotografia acima fala por si...

Enfim, prepara-se o caldinho para afundar de vez Portugal, com a ajuda de todos os anormais e egoístas, uns a sustentar que podemos enfrentar a União Europeia, outros a defender os seus interesses mais desprezíveis, infelizmente até na coligação.

Estamos verdadeiramente a brincar com o fogo e, se começarmos a agir como baratas tontas, teremos um despertar muito, mas mesmo muito doloroso, na mais absoluta miséria social.

Continuemos pois a brincar...

publicado por Rui Crull Tabosa




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