PENSAR DUAS VEZES
Prepara-se afanosamente mais um surto de manifestações e greves. Embora grande parte dos intervevenientes sejam os mesmos, há diferenças de fundo entre umas e outras.
As manifestações, coisa em que o Carlos andava por baixo, já se contentando com uns comandos locais a chatear aqui e ali, vão ter outra gente que não as legiões que o PC comanda e a meia dúzia de penduras do BE. O PS, por trás da cortina, empurra uns quantos, e há muita gente farta disto que, sem precisar de empurrões, ameaças ou enquadramentos, alinha de boa vontade na turba-multa.
No que respeita aos últimos, é natural que assim seja, é natural que toda a gente esteja chateada com o que se passa. O que já não é tão natural é que as pessoas pensem que isto tem remédio, que se tirassem o dinheiro aos ricos se resolvia o problema, que há outra saída que não seja abrir mais furos no cinto, que a humanidade se divide entre os maus, previamente deterninados pela opinião mais primitiva e imediata, e os bons, que são todos os que protestam, por minoritários, “enquadrados” ou arruaceiros que sejam.
As greves, essas, são outra coisa. São os tipos que ninguém despede ou não pode despedir que vêm abusar dos seus direitos e cavalgar os demais, com o maior dos desprezos pelos seus concidadãos que sofrem e pelos problemas colectivos. O que conta é a barriga deles, e pronto.
Todos os esforços – vão durar anos! – para pouco servirão se, fora daqui, os mercados em geral (não os financeiros, os outros) não ressuscitarem e os manda-chuva da Europa não se deixarem de tergiversações.
Da nossa parte, trabalhar mais e ganhar menos ajudará, mas parece que ninguém está para isso, a começar por cima. Por outro lado, haverá que perceber que a Europa está mal, muito mal, e que se queremos arranjar dinheiro temos que o ir buscar às longes terras para onde fugiu. O que implica que, como no passado, Portugal se torne menos “europeu” e descubra um novo ultramar. Parece haver quem pense nisto, mas é um caminho longo e trabalhoso, como o foi outrora. Os mercados, os compradores, os que terão que pagar - não dívida mas produtos – estão para lá dos mares. Conte-se menos com a Europa e mais com eles.
É claro que pode haver coisas que ajudem. Descoberta de petróleo, ouro, diamantes, tecnologia de ponta, natalidade, emigração, etc. Tudo mais ou menos mirífico e de efeitos de longo prazo.
O que não se pode, ou não se devia poder, é cair em cima dos que, por muitos erros que já tenham cometido, prejudicaram gravemente a sua vida pessoal - como Passos Coelho, Gaspar ou Macedo, para citar só três - para servir o país. Não colhe chamar gatuno a esta gente. É feio e não interessa a ninguém, antes pelo contrário. Ao fim de ano e meio de governo, quantas broncas já tinha havido com a malta do PS? Quantas houve em seis anos? Estes ficam-se pelo Relvas, e é uma bronquinha.
É de, pelo menos, pensar duas vezes.
António Borges de Carvalho
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