A esquerda como anti-Nação
Durante anos o Estado gastou dinheiro às mãos cheias, endividando-se a níveis absolutamente insuportáveis. Foram obras faraónicas, inúteis ou simplesmente ruinosas, direitos dados a torto e direito sem qualquer critério ou princípio de justiça, subsídios distribuídos aos amigos ou a actividades não geradoras de riqueza reprodutiva.
Entre 2005 e 2011, só para dar um exemplo que nunca é demais lembrar, a dívida pública duplicou de 80 mil milhões de euros para mais de 170 mil milhões.
Tinhamos de mudar. O País tinha de mudar.
E assim se deu início a um duro e exigente mas necessário processo de reformas que ainda só vão no primeiro ano, no sentido de modernizar a Justiça, flexibilizar as relações de trabalho, libertar a economia e a sociedade da subsidiodependência e do condicionamento do amiguismo de Estado.
Triste é ver que, enquanto lá fora se reconhece que “os Portugueses poupam e reformam o seu País, mantém-se fieis ao acordado” (Otmar Issing, prestigiado economista alemão, ao jornal Die Welt, 10 de Agosto), cá dentro, as habituais carpideiras comunistas, socialistas e bloquistas, de mãos dadas com comentadores politicamente comprometidos, tudo fazem para que as coisas corram mal, pois, para uns e outros, quanto pior melhor.
Dizem uns que “a austeridade não funciona”: muito bem, e onde arranjaram o dinheiro (que não há) para distribuir outra vez a rodos?
Pedem outros “medidas de crescimento económico”: muito bem, e se o Governo já está a tomar as efectivas, que outras quereriam? Mais investimento público? Com que dinheiro?
Claro que a situação do País é ainda bem difícil, com especial destaque para o desemprego e a situação social, realidade que se espera que a Troika, após sucessivas avaliações positivas, venha a reconhecer no final deste mês e a ser consequente com tal reconhecimento.
Não é menos verdade que os Orçamentos para os próximos anos serão determinantes para se aquilatar a sustentabilidade da despesa pública de que Portugal precisa como de pão para a boca.
Mas de uma coisa podemos estar certos: não são os comunistas, serôdios defensores da fratricida luta de classes, nem os socialistas, desavergonhados esbanjadores que há pouco mais de um ano atiraram o País para a bancarrota, a oferecer um contributo positivo e de boa fé para o novo Portugal: aquele que os nossos antepassados construíram em Aljubarrota nessa memorável tarde de 14 de Agosto de 1385, cumprem-se hoje exactamente 627 anos.
Rui Crull Tabosa
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