ELES AÍ ESTÃO!
Bem ensaiada a cena de anteontem na Covilhã.
O “povo” local veio para a rua insultar um ministro, fazer uma barulheira dos diabos, com porta-vozes bem industriados, indignação a rodos, alguma violência, ou pré-violência, e outros condimentos “espontâneos”, a cheirar a teatro que tresandam. O pobre do ministro aguentou aquela porcaria sem pestanejar e, mostrando coragem física e não só, dispôs-se a “dialogar”. Dirigiu-se aos vândalos e tentou falar com eles. Mas eles não estavam ali para ouvir outra coisa senão a si mesmos, aos seus insultos e ameaças. Estavam ali para criar bagunça e para ganhar tempo de antena, coisa que as nossas inteligentes televisões ofereceram em quantidades industriais.
A coisa já está desmascarada. Toda a gente sabe que a foi organizada pelo PC através da sua agência, dita sindical, a CGTP.
Aliás, o camarada Carlos já veio confirmá-lo, acompanhando as suas bocas com encómios à “acção de protesto” levada a cabo pelos seus bem treinados comandos. De uma coisa ficámos certos: não havia a ali povo algum, só um bando de profissionais de agitprop.
O comité central deve ter reunido com o camarada Carlos a fim de lhe dar ordens para mudar de estratégia:
Ó camarada Carlos, está visto e revisto – até cientificamente provado - que, ou você não tem jeito para arregimentar multidões, ou a malta das multidões já está farta do esquema. Conclusão, camarada - segundo a infalível lógica do materialismo dialético - é que as condições objectivas para a revolta das massas se alteraram. Temos que passar a actuar em grupos mais pequenos e mais aguerridos. Por falta de clientela, acabou o tempo das manifestações pacíficas, ordeiras, enquadradas. Está aberta a porta para a verdadeira acção revolucionária! Vamos amedrontar a burguesia, os lacaios do capitalismo, o governo da reacção!
Devo avançar para formas de luta violentas? Perguntou o Arménio.
Não, camarada, ainda não. Vamos ameaçar, assustar, intimidar, sem entrar em vias de facto. Barulheira, falta de respeito, indignação a rodos, gritos, vernáculo q.b., etc. A violência virá a seu tempo. Para já, vamos pô-los a borrar-se de medo. Chega. Lá virá o dia em que as nossas vanguardas organizadas conquistarão o poder pela violência revolucionária! Como sabe, não há outro processo. Trate o camarada de saber a agenda dos tipos do governo e comece a meter-lhes uns cagaços. Percebeu, camarada Carlos?
De repente, fez uma rara luz no espírito do Arménio. Pois é, pensou, com umas dúzias pessoas, faço um brilharete e ganho uma data de propaganda. Eureka!!!
E foi assim que se organizou a bagunçada de ontem. Uns vinte ou trinta camaradas, alguns porta-vozes, e pronto.
Fosse assim ou assado, o facto é que esta porcaria mostra uma mudança de tática do PC. Passaram à “acção de rua” por intermédio de “comandos revolucionários”.
Extraordinária é a bonomia da chamada “informação”. Quando até o camarada Carlos confessa que foi o partido, via CGTP, o autor da proeza, há jornais – como o “Expresso” – que sublinham que os serviços secretos “não pensavam noutra coisa”. Andavam para aí a avisar que o PC ia entrar nisto, calcule-se o disparate!
António Borges de Carvalho
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