quarta-feira, 30 de maio de 2012

INÊS PEDROSA E A VERDADE


 



Sob o título “A verdade a que temos direito”, vem a epigrafada, ilustre intelectual da mais pura esquerda, brindar a respeitável canalha com a sua preclara quão preciosa opinião sobre o caso Relvas/senhoras do “Público”.


É ela conhecida pelo talento literário que, soe dizer-se, lhe assiste, bem como pelo seu inefável feminismo, fervorosa homofilia, acendrado “progressismo” e outras qualidades que o IRRITADO não conhecerá, mas com que a Natureza não deve ter deixado de a favorecer.


Posto isto, vejamos o que a senhora opina acerca do mais fenomenal problema da Nação: a guerra do Relvas contra as fulanas do “Público” e vice-versa.


Começa a nossa opinante por nos informar que sempre houve “pressões sobre a comunicação social” feitas “por todos os governos”, e que fica muito contente quando vê “responsáveis de jornais desligarem (precioso português!) os telefones aos autores dessas pressões”.


Para quem conhecer minimamente as relações entre uns e outros (políticos e jornalistas), esta tomada de posição da senhora quer dizer… nada.


Acrescenta a senhora umas considerações sobre a “moral” do seu meio, o meio da “informação”, dando a impressão de viver noutro planeta, pouco sabendo sobre o que se passa na Terra. Não deixa, por isso, de informar que os jornalistas desobedientes receberam inúmeras visitas das Finanças por ter levantado o rabinho do selim. Presume-se que o seu bem-amado Sócrates fosse especialista na matéria…


Refira-se ainda que a ilustre senhora acha que vivemos “no regime opressivo instaurado pelo discurso catastrofista sobre a crise”, o que faz com que vejamos que “as pressões se multiplicam”. Lapidar. Lapidar porque é sabido que a esquerda tem as soluções necessárias para acabar com a crise de um momento para o outro: investimento público, estado social alargado, salários “europeus”, tendencial pleno emprego, etc. E ninguém liga! Das profundezas de imperdoável estupidez, quantos portugueses perguntam à tal esquerda onde é que vai buscar o dinheiro para sustentar esse maravilhoso mundo? A isto a esquerda não responde porque acha que, como no tempo do PS, o discurso devia ser, sempre!, triunfalista, optimista, já que deve ser essa a verdade a que, na opinião da senhora, “temos direito”.

Mas não é isto que importa, ou pouco importa, vindo de quem vem.

A senhora não percebe por que é que, sendo certo que o Relvas ameaçou o jornal de black out e a jornalista de ver reveladas intimidades suas, não publicou imediatamente a notícia. Isto para concluir que não havia provas do acontecimento. Quem ler, dirá: terá mesmo acontecido? Mas quem escreve conclui que “ao contrário de Relvas, Sócrates nunca fez chantagem com a vida privada de um jornalista”. Como sabe ela tal coisa? A afirmação implica: a) que a senhora cha que as acusações feitas ao ministro são verdadeiras e, b) que também sabe que, no tempo do Sócrates, a chantagem era feita por outros meios, se calhar mais eficazes.

Mais: depois de confessados estes conhecimentos, dona Inês Pedrosa diz que, se a conversa estivesse gravada “a gravação poderia, por si só, virar-se contra o próprio jornal”. Porque se tratava de uma gravação ilegítima, ou porque a gravação podia provar uma verdade que não correspondia às acusações insinuadas e às quais dona Inês dá a maior das credibilidades?

Enfim, ninguém sabe, ou jamais saberá ao certo o que se terá passado. Ninguém, não? Dona Inês insinua que sabe, sem afirmar taxativamente que sabe. Formidável, não é? Pelo menos, é uma expressiva demonstração do que é a integridade e a fiabilidade do pensamento de esquerda quando posto à prova.

O IRRITADO, que, como já disse, admira tanto o Relvas como as raparigas e os jornalistas do “Conselho” do “Público”, acha que dona Inês faz parte da maralha que anda a atirar areia para os olhos do povo e a distraí-lo do que lhe devia interessar.

Será uma manifestação da “verdade a que temos direito”?

Disse.


António Borges de Carvalho









 






 



















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