Clarinho como a água
Segundo se pode ler no Público de hoje (link não disponível), o presidente do consórcio Eneop - Eólicas de Portugal (produtor, instalador e explorador de parques eólicos), Aníbal Fernandes, está muito "apreensivo" pois (realce a cheio, meu)
"aguarda que o Governo envie até ao final do ano ao BEI [Banco Europeu de Investimentos] uma garantia de risco tarifário, exigida após as medidas do memorando da troika. Sem ela o banco não desbloqueia a segunda e última tranche de financiamento do consórcio, de 300 milhões de euros. E, sem essa verba para o último lote de parques eólicos, as fábricas deixarão de ter trabalho suficiente.
"O prazo para este financiamento? "É até ao final do ano. Ou se faz este ano, ou se perde, com todas as consequências para o país [e para o cluster industrial que o consórcio construiu]." "Não se concluindo todos os megawatts do estudo de base, ter-se-á de repensar a capacidade da fábrica, incluindo a mão-de-obra [2100 postos de trabalho permanentes]", acrescenta.
(...)"Os accionistas não vão meter mais dinheiro, porque não podem. Estamos apreensivos(...)"
Clarinho como a água: o investimento privado, de início, só ocorreu porque existiram gigantescos subsídios estatais, melhor, dos contribuintes; estando em causa a eventual não continuação desses subsídios (espero bem que em definitivo não se concretizem), pelo menos na magnitude dos iniciais, os investidores privados desaparecem. Pudera! A artificialidade é total e tudo fica a nu quando se percebe que já não há dinheiro, ou seja, que já ninguém nos empresta mais dinheiro. Sobra a chantagem emocional (os empregos artificialmente criados) e o argumento, falacioso, de que "não faz sentido" não completar o investimento já realizado. Pelo contrário, se um investimento se revela ruinoso, só um louco poderá defender gastar um cêntimo adicional nele que seja.
Publicada por Eduardo F
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