CORTA CORTA
Ainda a tinta estava fresca nos papéis dos discursos de posse deste governo, já as santas almas clamavam que não havia cortes na despesa do Estado.
À medida que os impostos foram surgindo, mercê dos colossais e mal suspeitados buracos que foram aparecendo, os clamores subiram de tom. Onde estão os cortes na despesa? Mais uma vez, o mexilhão vai tramar-se! Andaram a aldrabar na campanha eleitoral!
Tudo isto é mentira e tudo isto é verdade.
Como o governo, para seu mal ou para o seu bem – o futuro o dirá – resolveu não dar à casca, isto é, optou por não andar para aí a destapar a careca do senhor Pinto de Sousa e do seu espantoso partido, a malta fica indignada como o que lhe andam a fazer. Tem razão. É verdade.
Mas, se se comparar a referida atitude do governo com o que fez o do senhor Pinto de Sousa, não tem razão nenhuma. É tudo mentira. O senhor Pinto de Sousa, para “provar” que tinha herdado uma situação que o “obrigava" a aumentar os impostos, encomendou um défice aldrabado ao seu colega Constâncio a fim de pôr as culpas ao seu antecessor. E não mais deixou de o exibir, como se tivesse alguma correspondência com a verdade.
Par além de outras, esta é uma diferença brutal entre uns e outros.
Consta que hoje o governo vai, finalmente, anunciar os tais cortes na despesa. Se calhar já anunciou, o IRRITADO é que está desatento.
O que se vai passar é que os mesmos, exactamente os mesmos, que andavam a clamar pela falta dos ditos cortes, vão entrar em ainda maior excitação a condená-los. Esta noite, em princípio, vamos ver o que nos dizem, ou já disseram. Só a selecção nos pode salvar de mais uma noite de berraria. Valha-nos São Bento (Paulo)!
2.9.11
António Borges de Carvalho
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