quinta-feira, 18 de agosto de 2011

China liga à rede eléctrica o seu primeiro reactor nuclear de neutrões rápidos

Enquanto alguns ecotópicos tentam fazer passar a ideia de que a energia nuclear é uma coisa do passado e fora de moda, a I&D nos reactores de 4ª geração, ou de neutrões rápidos, prossegue, nos países com os pés na terra e ambições de futuro.

Como em tempos expliquei, os reactores de neutrões rápidos "queimam" o urânio 238 e não o 235, assim como o plutónio resultante da desintegração de ambos. Assim, não só usam recursos centenas de vezes mais abundantes que o "combustível" das centrais nucleares actuais de neutrões lentos, como dão destino útil ao principal resíduo radioactivo destas centrais, e de maior longevidade, bem como ao imenso stock de Urânio 238 resultante do enriquecimento do "combustível" actual.

Um dos projectos futurísticos desta tecnologia é o reactor de ondas móveis da TerraPower e Bill Gates de que já dei notícia, mas há muito que se faz investigação experimental em reactores de 4ª geração - na verdade, os primeiros começaram a ser testados há mais de 50 anos!...Vem isto a propósito de que há uma semana a China ligou à rede eléctrica, começando a gerar electricidade, o seu primeiro reactor de neutrões rápidos, de 4ª geração.

É um reactor experimental, produzindo apenas 20 MW de electricidade (65 MW de calor), mas os dois próximos, de 800 MW cada, começam a ser construídos no mês que vem, ao abrigo de um acordo de cooperação com a Rússia, e um outro de fabrico inteiramente chinês está já previsto, pela joint-venture Sanming Nuclear Power Co Ltd constituída em Abril de 2010.

Os dois reactores de 800 MW agora em construção são de concepção russa, os BN-800, e resultam do aperfeiçoamento dos BN-600 de que há um (e único no mundo...) em exploração comercial em Beloyarks. Porém, a Índia terá também o seu, de 500 MW, em exploração no próximo ano...

É por estas e por outras que ontem mesmo o Público noticiava a contra-gosto (tanto que "contaminou" o mais que pôde a notícia...), que o Director da Agência Internacional de Energia Atómica da ONU afirmou que a produção de electricidade a partir da energia nuclear vai continuar a crescer no mundo, apesar do acidente de Fukushima (onde, recorde-se, ocorreram zero mortos e feridos).

“Alguns países, como a Alemanha, reviram a sua política em matéria de energia nuclear. Mas muitos outros pensam que precisam dos reactores nucleares, especialmente para lutar contra as emissões de gases com efeito de estufa e o aquecimento global”, argumentou o referido Director.

Vendo isto, talvez compreendamos melhor o vaticínio de Robert Fogel, prémio Nobel da economia em 1993, segundo quem em 2040 o nível de riqueza per capita dos países da Ásia Oriental e do Sudeste será muito superior ao dos actuais países desenvolvidos...

Publicada por Pinto de Sá

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