O tratante
Muito se tem dito e escrito sobre a quem pertence a responsabilidade pela presente crise.
A tese de José Sócrates é bem conhecida: a culpa é dos outros (é sempre dos outros…), é das oposições, em especial do PSD (afinal é o challenger, o único partido que o pode apear do poder), alegando que lhe chumbaram o quarto PEC...
O único problema desta peregrina tese é que, como em tudo o que diz respeito a Sócrates, é mentira.
Na verdade, a forma como o primeiro-ministro apresentou o PEC IV basta para concluir que ele quis que o documento chumbasse e que teve a inconfessável intenção precipitar a crise política. Não deu cavaco a Cavaco, comprometeu-se junto da União Europeia sem dar prévio conhecimento ao parlamento, não negociou sequer com o principal partido da oposição, diligências que um governo minoritário sabia nunca poder deixar de efectuar se tivesse a vontade séria de conseguir a aprovação de tão importante documento.
Mas, para garantir que o PSD nunca aceitaria esse PEC, Sócrates não deixou, maquiavelicamente, de nele prever a eliminação das deduções fiscais em educação e saúde e os cortes nas pensões mínimas, medidas que bem sabia que Passos Coelho nunca poderia aceitar. A coisa terá chegado a tal ponto que o Governo preferiu congelar e cortar nas pensões em vez de subir os impostos sobre o consumo, sugestão que a União Europeia lhe fez, conforme ainda ontem o revelou Marques Mendes na TVI.
Mas os últimos desenvolvimentos vieram demonstrar de forma ainda mais evidente que José Sócrates quis, com a mais absoluta falta de escrúpulos, alijar as responsabilidades próprias pela situação de quase bancarrota a que o País chegou (devia ter pedido ajuda ainda em 2009, quando as taxas começaram a subir), tentando, num golpe de teatro, atirar as culpas da crise para a oposição.
Com efeito, noticia hoje o ‘Sol’ que o Governo estava já a negociar com a União Europeia, desde o final de Fevereiro, “um pedido de ajuda externa a Portugal no valor de 80 mil milhões de euros”. E é seguramente nesse contexto que deve ser enquadrada a ida de Sócrates à Alemanha, logo no início de Março. Ou seja, Sócrates estava a pedir a ajuda que rejeitava publicamente, estava a fazê-lo antes de apresentar o PEC IV e, o que é ainda mais grave, antes da crise política que ele pretende agora atribuir a outros.
Além disso, ontem mesmo Fernando Ulrich, presidente do BPI, revelou que, a 4 de Março, esteve numa reunião entre Sócrates e a banca nacional, na qual ficou a perceber que o Estado Português já não tinha forma de se financiar no mercado, razão pela qual pedia o apoio dos banqueiros portugueses.
Ou seja, Sócrates sabia, pelo menos desde o início de Março, que o Estado não tinha já crédito nos mercados e que, por conseguinte, era inevitável o recurso à ajuda externa. A qual ele sempre negou e continuou a negar até que uma crise política, por ele urdida, lhe permitisse passar por vítima. O lobo com pele de cordeiro.
Quando ele apresentou o PEC fez uma fuga prá frente. Quis a crise política, pois só esta podia branquear as suas responsabilidades.
Conseguirá esse sujeito, o pior e mais refinado vigarista e aldrabão que dirigiu os destinos do nosso País, confundir e enganar outra vez os Portugueses?
publicado por Rui Crull Tabosa

Sem comentários:
Enviar um comentário