Duplicidade e intrujice
Vi esta noite a entrevista do homenzinho, um verdadeiro artista, ora calimero a verter lágrimas de crocodilo, ora exasperado com os jornalistas, interrompendo-os malcriadamente, enquanto se contorcia na cadeira, ora ainda a sorrir embevecido com a sua própria duplicidade e a demagogia da sua argumentação.
Não reconhece qualquer culpa ou responsabilidade, não tem uma palavra de desculpa para os pensionistas que quis castigar congelando-lhes as pensões, acusa Passos Coelho de duplicidade, dizendo que este chumbou o PEC IV, dizendo, cá dentro, que o PEC ia longe demais e, lá fora, que não ia tão longe quanto devia. Como pode Sócrates mentir tão descaradamente? É assim tão difícil perceber que este novo PEC ia longe demais quando congelava as pensões dos mais pobres, mas não ia tão longe quanto devia porque não cortava no despesismo público, na gordura do Estado e nas mordomias dos dirigentes da administração pública e do sector empresarial do Estado? É, principalmente quando se não é honesto.
Ainda em relação ao PEC IV, Sócrates diz, falsa e sonsamente, que falou muito em diálogo, que foi mesmo o único, só esquecendo dizer a verdade, que é a de não ter dialogado quando devia, isto é, antes de se comprometer com o PEC junto da União Europeia. Mas ele não percebe que o problema é que já ninguém confia, ninguém acredita nele e na sua palavra? Não percebe que, da esquerda à direita, todos o consideram um refinado mentiroso?
À pergunta sobre ter duplicado a dívida pública, foge como o diabo da cruz, respondendo com o défice de 2010, mostrando grande orgulho com o facto deste … quase triplicar o permitido. Sobre a dívida, finalmente, encurralado, desculpa-se com os outros países, que também aumentaram as suas dívidas públicas, como se fosse comparável a situação portuguesa à alemã ou mesmo à italiana. A verdade, porém, é que, ao reconhecer o vertiginoso aumento do défice público, que passou de 61,7% do PIB, no final de 2005, para 92,4%, no final de 2010, prevendo-se já que o mesmo passe este ano para 97,3% do PIB, ou seja, 168,7 mil milhões de euros, confessou por completo a sua irresponsável incompetência, a sua criminosa responsabilidade perante a História que, essa sim, o julgará pesadamente como um dos piores primeiros-ministros de que há memória.
E insisto neste ponto, que é, porventura, de todos o mais importante pois é bem a marca da sua governação falhada. Hoje, cada Português deve, em média, mais 9 mil euros do que em 2005. NOVE MIL EUROS!
Finalmente, a cereja em cima do bolo é a pergunta sobre se vai desistir do TVG. A resposta do aventureiro irresponsável não tarda: é “Não…”, que ele, conseguindo enganar outra vez os eleitores, continua em frente com as obras megalómanas. É preciso ser-se um celerado para querer congelar pensões de 187 euros e, ao mesmo tempo, avançar com obras sumptuárias.
Alguém, que não um masoquista ou um ingénuo imbecil, poderá ainda comprar a cassete sócretina e votar nesse intrujão?
publicado por Rui Crull Tabosa
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