CONSENSO UMA GAITA!
Um vasto leque, panóplia, grupo, ou o que lhe queiram chamar, de “altas personalidades” da pobre vida de Portugal (47 ao todo), publicou um manifesto que, sob a capa de uma espécie de apelo patriótico, a outra coisa se não destina que a defender o futuro político do senhor pinto de sousa.
Senão, vejamos:
Tais altas figuras vêm apelar ao consenso, ao governo maioritário, etc.
Nem uma só das criaturas em causa desconhece que ninguém de honra e convicção deste país, nenhum chefe de partido, ninguém que se preze, aceita ou aceitará entrar para um governo onde prepondere como primeiro-ministro, secretário de Estado, motorista, o que seja, o senhor pinto de sousa. Ninguém se sujeitará a ser enganado, insultado ou obrigado a ter a criatura a seu lado ou perto de si, seja para o que for.
Seguindo os conselhos deste escol, a trupe dos parvos e dos pagos atrairá votos, mediante um raciocínio que, sendo estúpido, é próprio de muita gente nesta terra de serviçais e de papalvos.
As personalidades subscritoras podem, por outro lado, ter em mente a hipótese de Passos Coelho ganhar, mas sem maioria absoluta, ou de, desgraça das desgraças, não fazer com o CDS a tal maioria. Sabem que, por aí, jamais haverá aliança alguma com pinto de Sousa. A aliança que fica de pé será, por isso, pinto de Sousa+Louça, com apoio parlamentar do PC, ou coisa do género.
Tais personalidades, se quisessem servir a Nação, e fazê-lo pleiteando a favor do chamado “consenso”, só poderiam fazer uma coisa: pedir ao PS que retirasse de cena a causa primeira não só dos nossos males como da própria impossibilidade de “consenso”.
Algumas delas merecem uma referência:
- O Dr. Mário Soares, um dos mais ferozes inimigos do FMI e novel apoiante do mesmo. Não se sabe qual a coerência do ancião;
- O Dr. Sampaio, pai da presente desgraça, ainda por cima via indecente golpe de Estado, se tivesse um mínimo de vergonha, estaria quieto e calado;
- O Professor Antunes, conhecido salta-pocinhas político - tão depressa aparece no galarim do sampaismo como no do cavaquismo - melhor faria se se dedicasse à profissão, onde é considerado como bom, ainda que pedante;
- O mano, emérito escritor, devia meter-se em casa - do que tanto se gaba - em vez de se meter em confusões;
- O engenheiro Belmiro, depois das inúmeras declarações de independência em que as pessoas estão habituadas a acreditar, veio dar um tiro no pé, sendo melhor não elaborar sobre os porquês;
- O arquitecto Siza Vieira, comunista convicto, ou não é coerente ou só se percebe se achar que o Jerónimo vai apanhar o comboio;
- O bispo do Porto, intelectual respeitável, devia ir dizer missas em vez de andar a apoiar tipos que querem dar cabo das escolas católicas e da solidariedade ecuménica;
- O Professor António Barreto não se percebe;
- Explica-se a presença de uma série de figuras desconhecidas ou menores pela irresistível vontadinha de aparecer nos jornais em tão solene companhia;
- De outros, para quê falar?
Em resumo, se tão brilhante elite quisesse, mas quisesse mesmo, iluminar um pouco o bestunto dos eleitores, devia defender a formação de uma maioria coerente, que significasse verdadeira mudança de política e de costumes políticos, claramente inculcando que pinto de sousa nunca mais: votem à esquerda ou à direita, mas nunca neste fulano ou no partido socialista que lhe lambe as botas.
Esta sim, seria uma mensagem patriótica, democrática e apartidária.
António Borges de Carvalho
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