O interesse nacional é a demissão do Governo socialista
O Francisco José Viegas tem razão: o PSD não deve, em qualquer caso, apoiar o quinto PEC (Plano de Estabilidade e Crescimento), se quiser manter-se como alternativa ao Governo socratino. Não basta Pedro Passos Coelho dizer, no próprio dia em que o PEC V foi apresentado, que recusa o apoio, essa posição tem de manter-se contra todos os cantos das sereias estáveis (as que apenas balançam quando a maré muda) e os convites para outro tango contra-natura.
O novo PEC do Governo socialista (o quinto desde Março de 2010 - quarto na versão oficial), preparado nas costas das instituições e do povo, não convenceu os mercados financeiros: a taxa de juro das obrigações do Estado português a cinco anos subiu aos 8%, na tarde de 11-3-2011, depois de conhecidas as medidas que o compunham. Se as taxas abrandaram ligeiramente nos dias seguintes foi por intervenção extraordinária do Banco Central Europeu, para que fosse possível ao Governo conseguir colocar a emissão de ontem, quarta-feira, 16-3-2011, de bilhetes do tesouro a um ano (!) à taxa de 4,33%, superior à taxa de 4,06% em 2-3-2011. E hoje, 17-3-2011,de manhã, as taxas voltaram à sua trajectória exponencial (7,90% na taxa a cinco anos).
E José Sócrates, o primeiro-ministro responsável pelo descalabro financeiro e económico do País, ainda tem a pouca vergonha de responder a Pedro Passos Coelho, na noite de 11-3-2011, em conferência de imprensa:
«Onde é que está a má governação?... Onde é que está o desleixo?...»
O interesse nacional é, neste preciso momento, a demissão do Governo socialista e a sua substituição por um executivo responsável e prudente, que respeite a Constituição da República (nomeadamente, a alínea c do art. 201.º) e as instituições democráticas, em quem os mercados financeiros confiem, que reorganize o Estado e promova a recuperação da economia. Parece perceber-se do jogo político socratino que o Governo socialista já negociou o socorro financeiro às gotas em troca de um pacote de austeridade duríssimo prévio. Um apoio da União Europeia que constitui o falhanço da sua política e que deve fundamentar a sua demissão do Governo, através da rejeição do quinto PEC no Parlamento. E, se o Governo socialista não apresentar uma moção de confiança, a oposição deve provocar a sua queda através de uma moção de censura.
A crise política foi desencadeada pelo Governo socialista.
Encurralado pelos mercados financeiros, pelas agências de rating, pela impaciência do Banco Central Europeu e da União Europeia (aborrecidos pelos malabarismos contabilísticos do Governo), pelo adiamento para o Verão de 2011 da possibilidade de compra pelo Fundo Europeu de Estabilização Financeira de obrigações nas emissões de dívida, pelo mal-estar da negociação secreta e desprezo pelos outros órgãos de soberania, pela recusa do PSD em lhe aprovar às cegas novo pacote de austeridade, pelo abandono súbito de aliados, como o patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, pela erosão acelerada da preferência dos portugueses e pela imposição da União Europeia de que o novo pacote de austeridade, condição de acesso ao empréstimo, seja votado no Parlamento, Sócrates foge para a frente, lança o papão do FMI enquanto se prepara para promover à pressa novo concurso do TGV e da terceira ponte sobre o Tejo em Lisboa, diz que leva já o PEC V ao Parlamento, provavelmente sem detalhe nem quantificação segura, e admitiu, na entrevista à SIC, em 15-3-2011, o recurso a eleições. Pois, que venham. Já basta!
Publicado por António Balbino Caldeira
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