domingo, 3 de outubro de 2010

TERRORES GLOBAIS E TERROR NACIONAL

O terror dos não é só profissão de terroristas. Há outros terrores para além dos ditos como tal e também muitos terroristas que assim não são chamados. O terror é um sinal dos tempos. Manifesta-se um pouco por toda a parte e das mais diversas maneiras.O terror está “a dar”, é um negócio, uma forma de manter a humanidade em baias, via apóstolos informados por instâncias “credíveis”, “científicas”, “idóneas”, cujo resultado é provocar o medo colectivo através de esquemas, ou para que a humanidade se submeta a novas autoridades ou, simplesmente, para a pôr a gastar dinheiro como nunca e em coisas que jamais pensaria onerosas.

Alguns exemplos:

- A gripe das aves - fantasia imaginária que, partindo de inferências sem justificação possível e de modelos matemáticos especialmente concebidos, pôs a humanidade à beira da histeria;

- Outra gripe, a suína, ternamente chamada “A”, que teve o mesmo efeito, acrescido da “descoberta” da respectiva vacina, que deu o que deu em ataques de medo e em monumentais despesas mascaradas de profilaxia;

- O CO2 - um gás benigno, produzido pelos mares, pelas florestas, pela Natureza, um gás que não polui, que não faz mal à saúde, mas culpado, dizem os propagandistas do terror, do chamado “efeito de estufa”, que provoca o “aquecimento global” que vai destruir a vida na Terra, ou coisa que o valha;

- A descoberta da antropogénese do maléfico CO2 - o homem é o culpado, como se fosse o homem o grande produtor da coisa, como se a coisa fizesse mal ao planeta - como se não fosse um pecado, de orgulho ou de estupidez, pensar que fenómenos naturais que se processam em milhares de anos podem ser avaliados em observações de décadas ou motivados por um telemóvel ou uma acelera.

- Como consequência, mais um terror das empresas e das economias foi lançado pelos crentes, talvez o mais rendoso de todos os terrores: a criação dos “créditos de carbono”, trafulhice global que custa triliões às pessoas sem que dêem por isso ou sejam informadas, cabendo-lhes tão só pagar, sem aviso ou factura, e dar-se por felizes porque lhes diminui o terror;

- Como consequência, ao mesmo tempo que se descobrem novas e colossais jazidas de petróleo e gás, ameaça-se as pessoas com o fim do petróleo e com a necessidade de pagar com língua de palmo autênticas florestas de moinhos de vento, caríssimos, ineficazes, predadores dos nossos bolsos, construídos com o dinheiro dos nossos impostos, incapazes de substituir seja o que for que se veja, não fiáveis, uma balela universal, uma desgraça que, essa sim, devia aterrorizar as pessoas.

A demagogia, a falsa ciência, os lóbis económicos, os estados incapazes de senso prático e ausentes de massa crítica, tudo se conjuga para arruinar o mundo civilizado e para dar aos “emergentes” armas de produção e comércio que contribuem para a ruína da civilização.

Chamem a isto, se quiserem uma “irritação” mal disposta. A completá-la, um terror verdadeiro, um terror exclusivamente nacional: o do Orçamento de Estado.

- Vítimas das burrices constitucionais que mandam para as calendas a queda do medonho governo que nos esmaga em catadupas de aldrabice de há cinco anos a esta parte;

- Vítimas das hesitações de Passos Coelho, que, em vez de correr com este peçonhento bando na ocasião própria resolveu deixar-nos chegar, e a si próprio, à miserável situação a que o aldrabão de feira não ia, como era do conhecimento geral, deixar de nos levar;

- Vítimas de um presidente que foi capaz da pôr acima dos interesses da Nação os seus objectivos pessoais, os portugueses estão metidos nesta camisa-de-onze-varas: ou o orçamento passa, e ficamos pelo menos mais um ano nas mãos sujas da incompetência e dos enganos dos canalhas, ou não passa, e os ditos canalhas terão na mesma um ano para fazer a sua propaganda na base das culpas de Passos Coelho, “traidor à Pátria” que não o deixou passar e que, com isso, causou todas as desgraças que se seguirão.

O IRRITADO sempre foi de opinião que Passos Coelho devia chumbar mais esta canalhice governamental. Mas, tal como o governo não vem a tempo de colmatar a miséria que gerou, parece que Passos Coelho, seja para o que for, também já não vem a tempo.

Clamam várias vozes que as “medidas” do senhor Pinto de Sousa são exageradas, isto é, que, se forem bem geridas, baixarão o défice mais que o previsto. Se assim for, eis o timing do senhor Pinto de Sousa para o ano que se segue:

a) Garrote orçamental;

b) Défice abaixo do estimado;

c) Benesses para gastar as sobras;

d) Doses maciças de propaganda;

e) Eleições no papo.

Estão a ver o esquema?

Não é o mais horrível dos terrores? Ao contrário de todas as gripes, do aquecimento global, do CO2 et alia, este terror existe, é verdadeiro e justifica-se.

Como se sai disto? Não sei. Só sei que não queria estar na pele do Passos Coelho.

António Borges de Carvalho

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