Sem regadio não há votos em Meimão
Os agricultores da aldeia pedem água para regar os campos e dizem-se prejudicados por obras recentes no regadio. Os poços e a ribeira estão secos e há quem faça quilómetros para regar.
Boicote às eleições e corte de estrada para impedir as obras da mini-hídrica. Estas ideias circulam de boca em boca na aldeia de Meimão, onde o povo é sereno mas quer ver fumo branco na pretensão do regadio tradicional. Nos últimos meses chegou a haver esperança neste sentido, mas ela caiu mais uma vez por terra.
O Proder- Programa de Desenvolvimento Rural era o caminho para a solução, mas os beneficiários devem ser "empresários agrícolas, proprietários e outros legítimos possuidores de prédios rústicos, em número igual ou superior a 10, situados na zona a beneficiar, com área contígua igual ou superior a 100 hectares", diz a página do programa na internet, em www.proder. pt. Mas em Meimão isso não parece possível.
"No fundo até tínhamos os 100hectares, não fosse a barragem (da Meimoa) estar a roubar-nos os nossos terrenos agrícolas", explica Francisco Campos, o presidente da Junta de Freguesia de Meimão. Esta oportunidade está perdida, já que o prazo para as candidaturas termina na próxima segunda-feira, dia 10 de Agosto.
A necessidade das gentes de Meimão está à vista. José Vilaboa dá boleia ao Reconquista pelos caminhos da desolação. De um lado e do outro há hortas pintadas de amarelo, que a marcha lenta da carrinha de caixa aberta deixa observar ao pormenor. O cenário não é fruto do desleixo das gentes da aldeia de Meimão, que ao final da manhã ainda andam na terra.
Nesta aldeia do concelho de Penamacor- encravada entre as barragens do Sabugal e da Meimoa- não há água para regar os campos. Na ribeira é tão pouca que já nem corre e nos poços vê-se o fundo.
Nem sempre foi assim diz quem amanha a terra. "Havia aqui muita água só que meteram injecções na barragem e a água secou por completo", conta José Vilaboa. A este agricultor de Meimão ninguém tira da cabeça que a culpa desta seca é do cimento injectado nas obras do Regadio da Cova da Beira. Não é o único que pensa assim. Ele que já não têm água, mas continua empenhado com a horta, faz o que pode para a salvar. Na carrinha leva dois reservatórios, cada um com capacidade para mil litros. Parece muito mas dá apenas para regar a horta num dia, garante-nos.
A seca está a matar um hábito de anos, mas também um meio de subsistência. "Toda a gente tinha hortas com fartura e ia vender à praça do Sabugal e agora está tudo a secar", lamenta José Vilaboas.
A meio da viagem encontramos Manuel Augusto da Silva. No seu terreno cultiva milho, batatas, feijão e outros produtos. Ou pelo menos tenta, já que o balde de batatas que a mulher leva para casa não mete grande cobiça.
"Para a horta tenho um pocito que ainda vai dando, agora para o resto não", diz desencantado. "E no meio de duas barragens!", acrescenta logo a seguir.
A construção da barragem de Meimoa privou-o dos melhores terrenos, onde tinha olival, vinha e casa. "Levaram-me sete prédios e nem me deram dinheiro para comprar este bocado aqui". Não fosse a reforma da França e a vida era mais amarga.
José Henriques nem se dá ao trabalho de plantar. "Não posso pôr horta senão arrisco-me a ter uma trabalheira", diz ao Reconquista. Não é o único, a avaliar pelo que se vê. Este proprietário tem um terreno junto à ribeira, mas como não há gota de água o panorama não é muito diferente daquele que se observa nos terrenos vizinhos. O pouco que tem vai-se salvando com soluções de recurso. "Muitas vezes recorremos à água da rede, infelizmente é assim.
Por: José Furtado
Perderam os melhores terrenos que tinham com a construção da barragem da Meimoa, perderam as suas nascentes com a construção da barragem do Sabugal e a mini- hídrica, perderam o seu espaço NATURAL (que era excelente para o turismo de Natureza) com a construção dos parques Eólicos e perderam sobretudo o seu modo de vida, rendendo-se a uma classe política que não sabe ou não quer saber do seu povo. São eles os responsáveis por esta situação, não devendo por isso limpar a água do capote. O cor de rosa faz mal à vista e o menino de OURO também.
Sem comentários:
Enviar um comentário