Nova espécie de ácaro na fronteira
Descoberta importante para compreender os vários modelos de parasitismo e avaliar a sua importância na transmissão de doenças .
Uma equipa portuguesa de investigação, em colaboração com colegas espanhóis, descobriu uma nova espécie de ácaro parasita de um lagarto endémico na Península Ibérica, o lagarto-de-água, assinala um estudo publicado recentemente na revista espanhola Zootaxa, referido pela Lusa.
Para os cientistas, o conhecimento desta e de outras espécies de parasitas é importante para compreender os vários modelos de parasitismo, avaliar a sua importância na transmissão de doenças e estudar os mecanismos evolutivos e de resistência dos anfitriões.
À nova espécie foi dado o nome de Ophionyssus schreibericolus, dedicado ao lagarto em que foi descoberta e cuja área de distribuição se limita ao noroeste peninsular e ao sistema central espanhol - afirmou a investigadora Raquel Godinho, uma das autoras do trabalho.
Equipa de investigação
A investigação foi desenvolvida por uma equipa internacional do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, a que pertence Raquel Godinho, e contou com a colaboração decisiva de Maria Moraza, da Universidade da Navarra, especialista mundial em taxonomia de ácaros.
No trabalho participou também Joelle Gouy de Bellocq, parasitologista da equipa e investigadora na Universidade de Antuérpia (Bélgica), que transportou os ácaros colhidos sob as escamas dos lagartos para a Universidade da Navarra, em Pamplona.
Os investigadores do CIBIO começaram por descrever a existência de duas unidades evolutivas muito bem diferenciadas do ponto de vista genético do lagarto-de-água, que estão em contacto numa única zona de toda a sua área de distribuição, que é a fronteira luso-espanhola na zona da Serra da Malcata.
A equipa apanhou vários lagartos-de-água nessa zona de contacto, dos quais recolheram medidas e outros dados, tendo-os libertado nos mesmos locais em que foram capturados, com recurso a GPS.
«Desde essa descoberta temos dedicado muito tempo ao estudo da zona de contacto, não só em termos genéticos para compreender a extensão e o tipo de hibridação entre as duas grandes populações deste lagarto, como para estudar outras características de possível diferenciação, como a morfologia e a cor», explicou a investigadora.
Lagarto do período glaciar
Na sequência desse trabalho, a equipa do CIBIO passou ao estudo de alguns parasitas internos e externos do lagarto, nomeadamente da nova espécie de ácaro, tendo o contacto com os colegas espanhóis resultado da procura de especialistas internacionais em ácaros.
«Foi depois da equipa da Universidade da Navarra observar os exemplares do ácaro que se percebeu que se tratava de uma espécie inteiramente nova para a Ciência», afirmou a investigadora portuguesa.
Os investigadores estão agora interessados em perceber se aquele ácaro - que em adulto mede apenas um milímetro - existe apenas numa das linhagens do lagarto-de-água ou em ambas, ou se existe também noutros pequenos lagartos e lagartixas da mesma família.
Para o irlandês Stuart Baird, que é investigador auxiliar e faz parte da mesma equipa do CIBIO, o interesse pela nova espécie reside na contribuição que pode dar para a compreensão da história do seu lagarto hospedeiro, dado que já habitava na Península Ibérica antes do aparecimento da espécie humana, tendo sobrevivido a alterações climáticas extremas.
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