Animais domésticos mortos voltam ao menu dos abutres
Regras novas da UE permitem que os criadores de gado deixem animais domésticos mortos nos campos, ajudando os abutres e outras aves de presa.
No final da semana passada o Parlamento Europeu votou uma nova regulamentação para devolver os animais mortos ao menu dos abutres e outros animais necrófagos. Os abutres, conhecidos como os limpadores da natureza, são capazes de limpar uma vaca morta ou uma carcaça de ovelha em poucas horas. Têm sofrido com falta de alimento desde que as regras da UE obrigaram à remoção imediata de todos os animais domésticos que morrem no campo.
A votação de hoje seguiu um acordo alcançado entre a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu, que colaboraram construtivamente para encontrar uma solução para a 'crise dos abutres' - que tinha resultado em aves a voar através do continente à procura de alimento.
O efeito da regulamentação sanitária nas populações de Grifo tem sido particularmente grave. Bandos de abutres esfomeados têm ido procurar comida a centenas de quilómetros, voando até à Alemanha e à Bélgica. Muitos portugueses ainda se lembram dos vários episódios recentes em que pequenos grupos de grifos foram observados e capturados nas zonas urbanas do Sul de Portugal, incluindo Lisboa. A falta da comida está a afectar, também, algumas espécies muito ameaçadas, como a Águia-imperial, o Abutre-preto e o Britango.
Na passada Sexta-feira, o Parlamento Europeu votou para que os Estados-Membros permitam que os agricultores e criadores de gado possam deixar os animais domésticos mortos no campo, para beneficiar os abutres, sempre que seja seguro para a saúde das pessoas e dos animais. As mudanças vão ajudar outras aves e também mamíferos que se alimentam das carcaças, como os lobos.
Agora depende dos Estados Membros a implementação no terreno desta alteração da regulamentação. Domingos Leitão, Coordenador do Programa terrestre da SPEA, salienta que “este é um avanço importante, mas os tempos magros para os abutres ainda não passaram porque os Estados-Membros ainda terão de implementar as derrogações da votação de hoje.”
29 de Abril de 2009
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