quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Verbas para a agricultura não serão desbloqueadas em Janeiro

O presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal, João Machado, considera que o Governo não vai conseguir desbloquear as verbas anunciadas pelo primeiro-ministro José Sócrates na entrevista à SIC. Na mesma entrevista, o chefe do Executivo admitiu pela primeira vez que Portugal poderá entrar em recessão em 2009.

«Por mais vontade que tenham os técnicos do Ministério da Agricultura e o primeiro-ministro agora em aprovar projectos, nós dizemos que no final do mês de Janeiro não estarão aprovadas as verbas prometidas e nós cá estaremos no princípio de Fevereiro para fazer esse balanço e para denunciar a situação», afirmou à agência Lusa João Machado.

Em entrevista à SIC, José Sócrates rejeitou que existam 850 milhões de euros presos no Ministério da Agricultura e lembrou que foram aprovados 160 milhões de euros numa linha para os agricultores que «alavancam 1000 milhões de euros de investimento» no sector.

«O primeiro-ministro reconheceu que os 850 milhões de euros não tinham sido investidos na agricultura portuguesa em 2007/08 e que agora quer desbloquear a verba necessária do Orçamento do Estado para os aplicar. Ou seja, reconhece uma coisa que andamos a dizer há muito tempo: que o ministro da Agricultura não implementou o Programa de Investimento para a Agricultura Portuguesa», disse à agência Lusa João Machado.

Na opinião do presidente da CAP, o Governo, numa primeira fase, andou a «mascarar os apoios, fazendo anúncios diários sobre milhões que não existiam, que não eram verdadeiros e que não chegavam aos agricultores».

«Agora, finalmente, e depois do Presidente da República falar sobre o assunto, o primeiro-ministro reconhece que assim é, mas também diz que aquilo que não fez em dois anos vai fazer em 25 dias. Ora nós dizemos que isso não é possível», ressalvou.

No entender de João Machado, o Governo não tem máquina no Ministério da Agricultura para o fazer porque o programa de investimento para a agricultura portuguesa está mal estruturado, não é ágil e não é rápido.

O primeiro-ministro José Sócrates admitiu segunda-feira em entrevista à SIC que a economia portuguesa não escapará à recessão, já que esse é um cenário «cada vez mais provável».

«Acho que nós devemos rever as nossas previsões quer quanto ao desemprego, quer em relação à economia», disse ainda o primeiro-ministro na entrevista onde admitiu que a taxa de desemprego em 2009 fique acima da taxa prevista para o ano passado.

José Sócrates sustentou que o actual momento económico é «uma crise que não tem paralelo histórico».

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