Antecipar a utilização intensiva de agro-combustíveis quando há grave crise alimentar ? !
Afinal, o que fará "acelerar" tanto o Sr. Ministro do Ambiente e o Governo..?
É notícia a afirmação do Ministro do Ambiente segundo a qual o Governo pode antecipar, em vários anos, o uso de "biocombustíveis" a dez por cento nos transportes, meta que a União Europeia se propõe atingir até 2020.
Ou seja, o Governo Português, sempre mais papista que o Papa, avança já com propostas deste tipo que correm para a intensificação da produção e para a antecipação da utilização de agro-combustíveis, no preciso momento em que se regista uma grave crise alimentar, com milhões de seres humanos a morrer à fome por escassez de alimentos disponíveis !
Lembre-se até que um alto responsável pelas Nações Unidas apelidou recentemente o biofuel como "crime contra a Humanidade" e que a própria União Europeia encara reavaliar toda a situação !
No contexto, o Ministro do Ambiente esquece mesmo que dois milhões de Portugueses vivem no limiar da pobreza e encontram hoje dificuldades acrescidas com a alta do preço dos principais alimentos.
É que a produção e a utilização, intensivas, de agro-combustíveis, ainda que de segunda geração, sempre concorrerão para limitar ( bastante ) a produção de bens alimentares, pois vão mobilizar recursos financeiros, sementes, esforço tecnológico e humano e o uso intensivo da terra e da água.
A CNA esclarece que, obviamente, não diz aos Agricultores para não produzirem agro-combustíveis caso tais produções lhes interessem.
Porém, a CNA também reafirma:
-- A prioridade institucional das políticas agrícolas e de mercados deve ir, toda, para a produção de bens alimentares acessíveis para seres humanos e animais. Assim, deve ser combatida a actual especulação em torno dos agro-combustíveis.
-- A produção intensiva de agro-combustíveis exige muita água - um recurso escasso - e tende para o uso intensivo e monocultural dos solos e para o recurso a sementes transgénicas. Por isso, também do ponto de vista do ambiente e dos recursos naturais, são culturas muito problemáticas, ao contrário do que se faz crer.
-- A produção intensiva de agro-combustíveis não interessa à escala da Agricultura Familiar Portuguesa. Interessará, sim, aos maiores proprietários, à grande agro-indústria e às próprias multinacionais de petróleo que se aproveitam, estas últimas, das isenções fiscais já estabelecidas para os agro-combustíveis.
Por tudo isso é legítimo questionar: - mas afinal que interesses, e de quem, fazem "acelerar" tanto o Ministro do Ambiente e o Governo Português ????? e quem estamos a imitar desta vez, os irlandeses ou finlandeses????
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